O JINGLE E O SAMBA

Na mão inversa de muitos criadores do gênero, que, por brilharem como autores de música popular, foram chamados ao pódio das agências de propaganda, eu fui antes jinglista para só depois me tornar compositor gravado e razoavelmente conhecido.

Minha chegada à primeira produtora – e a primeira a gente nunca esquece – foi absolutamente por acaso, como escrevinhador de textos. Ganhava pouco mas era divertido, num ambiente romântico e extremamente musical. Até que um dia me perguntaram se eu era capaz de escrever uma letra.

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DEUSES QUE DANÇAM

Nossos heróis jazem dormindo
Nas bibliotecas.
É preciso explodir o silêncio das bibliotecas.
Altissonantes batucadas
Tirem nossos heróis
Desse sono nefasto.
Afastem-se mesas e cadeiras
Desses cemitérios de livros
Para que virem terreiros
Onde nossos heróis
Exibam sua face afra.
Profanem-se os sacrários
Retumbem fichários
Semeiem-se colcheias
A mão cheia
Nas seções de periódicos.
Insiram-se quiálteras
Nas referências bibliográficas
Para que os heróis saltem álacres
E mostrem caras
Máscaras
Couros, carapinhas
Em sua integridade
Afra.
Nossos heróis são deuses que dançam.
Não viram Mandela?!

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