FORTUNA CRÍTICA


SOBRE NEI LOPES E SUA OBRA

2016: “Compositor e intérprete de música, sambista, escritor, estudioso das culturas de matrizes africanas, etimologista, Nei Lopes é artista plural, assim como as suas produções são tantas e diversas. Seus contos e crônicas, seu romance são narrativas carregadas de vida, trazem a presença de personagens comuns, famosos, referências a fatos históricos e lugares pitorescos. O humor fino e a ironia são traços da sua escrita. Recentemente, recebeu prêmios que reconhecem o valor da sua obra, como Faz Diferença, Segundo Caderno, Prosa, do Globo e o de Melhor música, 28º Prêmio Shell de Teatro, composição para o musical “Bilac vê estrelas”. Com dezenas de livros publicados (para todos os leitores), inúmeros prêmios, Nei participa de coletâneas, antologias e parcerias. Isso aponta um caráter de generosidade e de gratidão com os parceiros e com os leitores. Sua narrativa literária flui em casos contados ao pé do ouvido. Em histórias para serem compartilhadas na sala de aula ou numa roda de leitores jovens e adultos. Somos capturados pelo ritmo do texto no contato com a sonoridade e o movimento das palavras, escrita feita de melodia e ritmo. Sem falar da intensidade de imagens que brotam. Vemos as cores e texturas, sentimos cheiros e sabores, escutamos os sentimentos de pessoas, lugares e coisas. Compartilhamos as emoções das personagens e do narrador. Podem ser gente conhecida do autor, gente anônima para os leitores ou conhecida publicamente. Nei empresta um caráter de grandeza a cada uma, a cada criatura presente em seus textos. Por um lado, temos uma linguagem coloquial e íntima, por outro lado, sofisticada e erudita. Nei transita entre essas linguagens com naturalidade. Ele nos aproxima de grandes acontecimentos históricos da humanidade, em especial da arte, sem pedagogias nem ensinamentos. Os nomes dos lugares, a origem das coisas. A informação brota de sua narrativa e nos captura. Ao ler seus textos, passamos a conhecer mais sobre o Rio de Janeiro, o Brasil. Isso porque Nei traz fontes históricas, artísticas, antropológicas, geográficas, étnicas e sociológicas para suas narrativas. Não é uma escrita forçada, isso está no cerne da sua criação. Assim o lemos e apreciamos seus tantos casos que têm o negro como protagonista. O negro tem vida e voz. Fala de um lugar: nem idealizado nem subestimado. Ora o autor aponta problemas brasileiros, como a ignorância, a pobreza, o descaso pelo subúrbio, ora nos faz sentir orgulho da nossa brasilidade, ao destacar idiossincrasias como o jogo de cintura e a criatividade. Com palavras precisas (e preciosas), ele fala da nossa história, das origens do povo brasileiro, da formação cultural que nos caracteriza. Aborda a tradição, como a velha guarda das escolas de samba cariocas, mas também aponta o impacto da internet nos meios de comunicação, os neologismos, o americanismo, os vícios de linguagem. São histórias contadas ao vivo. Em uma linguagem por vezes íntima, por vezes erudita. Musical. Ler Nei Lopes é a oportunidade para o leitor ir além das palavras, dos ditos, das linhas. Um entrar nas entrelinhas, nos subterrâneos da língua e da nossa existência!” (Ninfa Parreiras – professora e pesquisadora, mestre em Literatura Comparada pela USP – Fala em homenagem a Nei Lopes na FLIST, Feira Literária de Santa Tereza, 14/05/2016)


2015: “Rio Negro, 50 não é um bom título comercial, mas é um livro muito acima da média. Sem dúvida até agora a melhor ficção de Nei Lopes, onde aprendemos tantas coisas de modo prazeiroso e divertido. Não será exagero dizer que hoje ele é o principal autor negro brasileiro de ficção, e com belo futuro, pois ainda tem tanto para dizer, estando apenas no início de mais uma trajetória vitoriosa. Altamente recomendável para gregos e troianos”. (https://www.facebook.com/joaocarlos.rodrigues.18?fref=ts – 26/06/2015)


2015: “A explicação é que os versos e melodias de Nei Lopes, certamente estimulados pela escrita de Ruy Castro, nada têm de ingênuos. São derrisórios, quase brechtianos. E são canções características do gênero no Brasil, ao se apoiarem em duplo sentido, ridicularizarem poderosos, abraçarem ironia sem parar. Vale para as letras e para a grande variação de gêneros musicais, com efeito cômico, adotada por Nei Lopes, mas também para o elenco. (…) Mas o melhor da peça está mesmo nas canções de Lopes, sempre surpreendentes em gênero, da “ária de ópera bufa” ao maxixe, e sobretudo nas letras, sem medo de acrescentar, aqui e ali, uns palavrões. E com uma teatralidade que remete aos melhores musicais de Chico Buarque”. (Nelson de Sá, Folha de São Paulo, caderno Ilustrada, 06/06/15; sobre o musical “Bilac vê Estrelas”)


2015: “Não deveria haver qualquer surpresa em se afirmar que Nei, carioca do subúrbio do Irajá, é um dos maiores compositores brasileiros em atividade. Profícuo sem perder o rigor, já produziu sucessos como “Senhora Liberdade”, “Gostoso Veneno” (ambos com Wilson Moreira) e “Tempo de Dondon”, dentre dezenas de exemplares da melhor música popular. Logo, por que se escrever sobre ele? Por causa do espanto. Ouvir, em apenas uma hora e meia, 15 canções novas, não menos do que excelentes, é um acontecimento raríssimo, espantoso. Lembra o tempo antediluviano em que comprávamos discos, púnhamos no aparelho de som e ficávamos chapados ao escutar um trabalho deslumbrante”. (Luiz Fernando Vianna, Folha de São Paulo, 02/02/2015)


2015: “Exímio letrista, dono de obra musical associada ao universo do samba e à afirmação da negritude, o compositor carioca Nei Lopes abre o leque estilístico de seu cancioneiro com a criação da trilha sonora original do musical Bilac vê estrelas. Lopes compôs 15 músicas, assinando sozinho melodias e letras que (…) confere[m] vivacidade à encenação (…) Entrosado e cheio de verve, o elenco ilumina Bilac vê estrelas (…) valorizando os pontos altos, como a trilha sonora de Nei Lopes, cuja maestria na escritura de letras é reiterada por versos como os de Tout le Riô, tema que brinca com o francesismo reinante no Rio dos anos 1900. (Mauro Ferreira, (www.blognotasmusicais.com.br – 25.01.2015)


2015: “(…) a montagem [“Bilac vê estrelas”, comédia musical de H. Seixas e J. Romeu] se apoia nas 15 músicas escritas por Nei Lopes, que se desenham melhor como eixo narrativo. (…) Mas a qualidade das letras e músicas de Nei Lopes é o que se impõe nesta montagem, não só pela criação especial para um gênero atrelado, entre nós, a repertório preexistente, como pela variedade de ritmos que situam o período e capturam o espírito cultural da capital colonizada. São lundus, modinhas, maxixes e valsas que comentam francesismos em “Tout le Riô”, carioquismos nos “Sassaricos na porta da Colombo” e a sintaxe dos sonhadores em “O poeta e a palavra”. São composições inspiradas, com letras inteligentes, plenamente integradas à ação e carregadas de humor e poesia. Um trabalho irretocável (…)” (Macksen Luiz. “Bilac de letras e músicas irretocáveis” – O Globo, Segundo Caderno, 16.01.2015, pág. 2)


2014: “Desafio mesmo é poetizar o ethnos afro com suas inflexões léxicas e suas sutis tonalidades afetivas. A isto sempre se mostraram muito afeitos os cubanos, e não apenas o magistral Guillén. Nei Lopes percorre esta trilha sem escorregos. Pelo visto, pela idade, já sabe ‘o sabor/do trigo/em meio ao joio”. (Muniz Sodré. Prefácio em “Poétnica”: Rio, Mórula, 2014)


2014: “Dele [Nei Lopes] pode-se dizer que é uma ilha criativa cercada de arte por todos os lados (…) e embora domine outras formas para expressar o que vê apreende da imensa vastidão do drama humano, é na poesia que ele encontra o veículo adequado para sangrar com as palavras”. (Salgado Maranhão Apresentação em “Poétnica”: Rio, Mórula, 2014)


2012: “O que os três livros da editora Pallas [“Novo dicionário banto do Brasil”, 2ª.ed.; “Dicionário da hinterlândia carioca”; “A lua triste descamba”] reforçam é o seu papel como historiador de manifestações e tradições que estão distantes das hegemonias culturais, sociais e geográficas do Rio e do Brasil. Ao ampliar sua obra, que se aproxima dos 30 títulos, Nei se firma como artista e intelectual interessado nos avessos do país”. (Luiz Fernando Vianna, “Outros lados da História”. O Globo, Segundo Caderno, capa, 03/05)


2012: “Nei Lopes pôs no papel histórias, personagens e tradições de um subúrbio que perdia a memória”. (Fernando Mollica, “A hinterlândia de cada um de nós”, O Dia, 09.05).
2011: “Daí é que surge algo que vem tornando a literatura produzida por Nei Lopes, com perdão aos nossos mestres das letras, uma necessidade cada vez mais desejada e esperada. Ele evolui a cada novo trabalho, que nos chega numa velocidade impressionante e em grande estilo”. (Uelinton Farias Alves, resenha de “Esta árvore dourada que supomos”.  O Globo, Prosa & Verso, 05/11/12)


2011: “A África por ela mesma. É assim que pode ser resumida a mais recente obra [Dicionário da antiguidade africana] do compositor, músico e africanista Nei Lopes”. (Gefferson Ramos, Revista de História da Biblioteca Nacional, nº. 68, Rio, maio)


2010: “Um álbum que compilasse grandes momentos da História do samba poderia ter, sem surpresas, as músicas ‘Goiabada Cascão’, ‘Senhora Liberdade’ e ‘Coisa da Antiga’. (Leonardo Lichote: “IMS festeja 30 anos de álbum histórico”. O Globo, Segundo Caderno, 19/10)


2010: “Ler o romance ‘Mandingas da mulata velha na cidade nova’, de Nei Lopes (…) tem sido ao mesmo tempo uma aula sobre o nascedouro do samba (…) e, acima de tudo, sobre como descobrir um texto que, nas mãos de um lexicógrafo, enciclopedista, pesquisador e guardião da herança africana, se revela (…) a expressão própria da fruição literária, do prazer e da alegria de ler, do suspense recheado de humor, da cultura temperada com magia, da linguagem reveladora de mundos submersos, massacrados por um certo senso comum”. (Arnaldo Bloch, O Globo, Segundo Caderno, 23/01)


2010: “Compositor de samba, incansável pesquisador da cultura afro-brasileira e da história do subúrbio carioca, romancista, enciclopedista, cultor dos orixás”. (Nei Lopes no terreiro da criação. Revista de História da Biblioteca Nacional, nº. 53, fevereiro)


2010: “A obra de Nei Lopes é a tentativa mais consistente de compilação, reflexão e criação artística em torno desses saberes [africanos e ameríndios]. Ao fazer isso, neste novo livro, o autor estabelece um verdadeiros tratado sobre a tolerância e o respeito às diversidades”. (Luiz Antonio Simas: “Um épico da mestiçagem brasileira”, sobre “Oiobomé, a epopéia de uma nação” [NL], em O Globo, caderno Prosa & Verso, 11/07)


2009: “É, sobretudo, um grande artista: está seguramente entre os maiores poetas brasileiros – porque samba é poesia, sem concessão. Como contista e romancista, talvez seja ele o único herdeiro autêntico de Lima Barreto: pelo talento, pela originalidade, pela identificação profunda que tem com o seu assunto, pelos ideais humanos que o norteiam. […] quando os brasileiros souberem realmente quem são, Nei Lopes será reconhecido – em toda a sua grandeza de intelectual, em toda a sua genialidade de artista – como um dos principais responsáveis pelo enegrecimento de nossa consciência”. (Alberto Mussa, romancista, autor de “O trono da Rainha Jinga” e “O senhor do lado esquerdo”, na apresentação de “Mandingas da Mulata Velha na Cidade Nova” [NL], Rio: Língua Geral)


2009: “[O livro ‘História e cultura africana e afro-brasileira] Demonstra com clareza e objetividade o quanto o continente africano foi fundamental para a formação do Brasil. A obra é um estimulo ao debate sobre o assunto”. (Prêmio Jabuti 51ª. ed., categoria Didático e Paradidático, 1º lugar: melhor livro. Câmara Brasileira do Livro, Catálogo oficial)


2006: “O escritor e compositor Nei Lopes é autor de versos geniais no mundo do samba, e respeitadíssimo quando o assunto é cultura afro-brasileira”. (Revista O Globo – reportagem “Cem brasileiros geniais” – Rio, 25/06/06, pag. 34)


2005: “Nei Lopes […] é sem truques. Seus sambas partem dele mesmo, como água de nascente, com recados diretos e cristalinos. […] Mas ele tem nos revelado outras espécies de canto afinado, a exemplo deste Kitábu”. (Muniz Sodré, mestre em Comunicação, professor titular da URFJ, no prefácio de “Kitábu, o livro do saber e do espírito negro-africanos” [NL], Ed. Senac-Rio)


2004: “O trabalho de Nei Lopes se ergue como fiel expressão do espírito intelectual, do sentido político e do impulso inovador que infundiam o sonho da Enciclopédia Africana [de W.E.B. Dubois]”. (Elisa Larkin Nascimento, mestre em Direito e em Ciências Sociais pela Universidade do Estado de Nova York, doutora em psicologia pela USP, no prefacio da “Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana [NL], São Paulo, Selo Negro)


2004: “Nei está, de fato, um passo à frente da média de compositores populares – ele domina o código culto, conjugando samba (gênero músical e forma de sociabilidade) e prática intelectual pura. É um hibrido que ironiza (no sentido socrático de contra-ideologia) suas duas metades. É um aglutinador de pobres negros suburbanos e intelectuais propriamente ditos”. (Joel Rufino dos Santos, historiador e escritor, em Épuras do social: como podem os intelectuais trabalhar para os pobres, São Paulo: Global, 2004: 255)


2003: “Na verdade, o que falta para um reconhecimento maior do compositor [NL] entre os grandes da MPB é driblar o preconceito que ainda confina os sambistas numa reserva de regionalismo”. (Tárik de Souza, crítico músical, em “Tem mais samba: das raízes à eletrônica. São Paulo: Ed. 34, 2003: 143)


2003: “De modo que é sempre com satisfação que se recebem obras como o Novo Dicionário Banto do Brasil, de Nei Lopes, pelo que representa de lufada de ar fresco no quadro acima descrito [carência de estudos etimológicos] (…) e foi nessa condição é que foi usado e referido em inúmeras etimologias do Dicionário da Língua Portuguesa, que acabamos de fazer”. (Mauro de Salles Villar, Instituto Antonio Houaiss de Lexicografia, em Novo Dicionário Banto do Brasil [NL], Rio, Pallas)


2003: “Como grande sambista e pesquisador das culturas africanas que é, Nei Lopes jamais escreveria um livro neutro e despolitizado (…). Este Sambeabá cumpre esta tarefa com a maestria dos grandes bambas e só poderia ter sido escrito por um deles”. (Luiz Antônio Simas, na apresentação de “Sambeabá, o samba que não se aprende na escola” [NL. Rio: Casa da Palavra/Folha Seca)


2000: “Nei Lopes é um gigante do samba. Na galeria dos vivos há poucos desta estirpe: Paulinho da Viola, Ivone Lara, Elton Medeiros, Martinho da Vila”. (Flávio Pinheiro. “Nei, de letra, música e vida” (www.no.com.br) 01/11)


2000: “E aqueles que insistem em colocar o samba de um lado e a MPB de outro, no terreno das classificações, vão fundir a cuca ao passear na ponte solidamente construída pelo compositor Nei Lopes”. (Pedro Landim, a propósito do CD “De Letra & Música”. O Dia, Caderno D, 18/12)


1999: “Os escritores se agrupam por famílias. À sua revelia, situo Nei Lopes na de Marques Rebelo, Lima Barreto e Nelson Rodrigues […]. Ele pertence à família dos escritores insatisfeitos com o filisteísmo das belas-artes. Reelaboram – tanto na literatura quanto na música – o lixo ocidental”. (Joel Rufino dos Santos, historiador, na apresentação a “171-Lapa-Irajá” [NL]. Rio, Ed. Folha Seca)


1999: “Admirado pela negritude, carioquice, bossa e, como diz o colega Aldir Blanc, pelo acabamento de seus versos músicais, perfeitos mesmo nos sambas sincopados, Nei Lopes é o mestre do palavrório carioca em forma de música”. (Hugo Sukman. Box em matéria “Historias malandras dos guetos cariocas”, de João Maximo. O Globo, Segundo caderno, Rio, dezembro)


1997: “O Dicionário Bantu do Brasil [de NL], que acaba de ser publicado no Rio de Janeiro, é, a todos os pontos de vista, um instrumento de uma grande utilidade cientifica e uma contribuição louvável no alargamento e no reforço da cultura nacional brasileira […]”. (Simão Souindoula, historiador angolano, vice-presidente do CCI do projeto da UNESCO “A Rota do Escravo”; em Jornal de Angola, 11/04)


1996: “Seus poemas conseguem efetivamente superpor-se aos espaços epidérmicos e ao corporativismo negativo; trazem , isto sim, para a literatura a afirmação de elementos que vão dos espaços míticos, vale dizer, os que resgatam a memória coletiva, aos sócio-historicos, ou seja, os que destacam traços que fazem a historia do Negro”. (Domício Proença Filho, da Academia Brasileira de Letras  empossado em 2006 – no prefacio de “Incursões sobre a pele” [NL], Rio, Artium Editora)


1996: “Apesar dessas incertezas [dúvidas à espera de pesquisas mais aprofundadas], este Dicionário banto do Brasil […] representa um notável acervo de propostas etimológicas que estimulam a que outros estudiosos se debrucem sobre a questão; e a que se difunda, entre os jovens universitários brasileiros, a necessidade da investigação dessa importante seção do léxico da língua portuguesa”. (Evanildo Bechara, membro da Academia Brasileira de Filologia e empossado na Academia Brasileira de Letras em 2001)


1996: “A poesia de Lopes expressa, na forma e no conteúdo, o vigor de uma personalidade cultural que é negra ou afro-brasileira em sua origem; uma cultura que se opõe à conformidade sufocante e às influencias alienantes de valores burgueses, considerados como ‘brancos’ quanto à origem e orientação”. (David Brookshaw, da Universidade de Bristol, na apresentação de “Incursões sobre a pele”, Rio, Artium Editora)


1992: “Nei Lopes é um Rugendas, um Debret e um Marc Ferrez do nosso tempo: só que ao invés de gravuras e daguerreótipos, vale-se de palavras para nos transformar em coadjuvantes dessas historias que conta com tanta saborosidade […]. Ele nos obriga a assestar nossas parabólicas para antenar esse arsenal de revelações”. (Hermínio Bello de Carvalho, poeta, prefácio em “O negro no Rio de Janeiro e sua tradição músical”. Rio, Pallas).


1989: “A preservação da memória cultural do negro é a grande preocupação deste artista, que marca sua época”. (Prêmio Golfinho de Ouro, Governo do Estado do RJ, 1989, categoria Música Popular. Catálogo)


1987: “Mas não é apenas o lado sociohistórico que me fez debruçar sobre o carioca, ao ler estes casos. Interessa-me (…) a exatidão verbal com que Nei Lopes e seus personagem se exprimem, manejam esta nossa língua, elevando-a (quando estilisticamente pertinente) aos estatutos de linguagem artisticamente criadora e recriadora, com rara exemplaridade. […] Há que lê-lo, repito. E louvar-lhe e agradecer-lhe”. (Antonio Houaiss, filólogo, ex-ministro da Cultura, membro da Academia Brasileira de Letras, na apresentação de “Casos Crioulos” [NL], CCM Editores)


1983: “[…] Solano Trindade e Nei Lopes representam uma continuação da tradição popular, da qual Caldas Barbosa foi o primeiro expoente da cultura brasileira”. […] “A consciência negra de Lopes faz parte de um ‘tropicalismo’ mais amplo, uma espécie de glorificação da cor, da vitalidade e da irreverência sensual da cultura popular brasileira”. (David Brookshaw. “Raça e cor na literatura brasileira. Cap.7. A conscientização do negro e sua expressão através da poesia; 7.7. Poesia e samba: Nei Lopes e a Conscientização negra no Rio”. Porto Alegre, RS, Mercado Aberto, págs. 195; 200)


1981: “Portanto, Nei Lopes não é apenas um dos compositores mais importantes da geração 70 da música popular brasileira. Agora, ele é também um dos mais profundos especialistas do samba carioca”. (Sérgio Cabral, na apresentação de “O Samba, na realidade…”. Rio, Ed. Codecri)


1977: “Volto a chamar a atenção para Nei Lopes, um dos nossos melhores letristas”. (Sérgio Cabral, jornalista e escritor. Coluna “Música Popular”, O Globo, Segundo Caderno, 16.09)