“NÓIS TORCE, MAIS NUM É TRÔXA: Focinho de porco não é tomada”


Está bem! Esporte é saúde, a competição é saudável; o espetáculo esportivo é diversão e lazer. Mas, cá entre nós, há um bocadinho de alienação envolvido nisso tudo.

A alienação, como todos sabemos, é um fenômeno pelo qual nós humanos, sem querer, somos convertidos e, alheios, estranhos a nós próprios; e isto pela ação de forças invisíveis que nos precipitam para esse estado fora de nossa natureza e de nossos interesses, para objetivos que não só os nossos, mas que somos levados a creditar que são.

No caso dos espetáculos esportivos, nós, submetidos em nosso cotidiano a convívios e tarefas que nem sempre nos interessam, somos impelidos a buscar, nos estádios, nas modernas “arenas” e, agora, na Copa do Mundo, uma válvula de escape que nos é oferecida em forma de paixão.

Aí, gritamos, berramos, brigamos, xingamos. Esquecemos os políticos, os governos, a corrupção, a falta de Saúde, a péssima Educação, a carência de Transporte, a miséria, a violência, o analfabetismo funcional, o projeto de tomada de poder pelos mercadores da religião etc., etc., etc. Enquanto isso, os “patrocinadores oficiais”, fabricantes de “heróis”, “feras”, “guerreiros”, vendem, vendem, vendem, faturam, faturam, faturam… E nós, ó!!!

Mas se a seleção brasileira ganhar, está tudo certo. Vamos queimar uma carne aqui na laje, que ninguém é de ferro. E vamos tomar todas (mesmo aquelas em que a cevada vem sendo substituída por milho e arroz)! E o faremos brindando à Sociedade de Consumo, tão bem retratada por René Dumont e Eduardo H. Tecgen, no livro da Salvat Editora, em que fomos buscar as verdades acima.

Porque “se o Braz é tesoureiro a gente acerta no final”, como cantava Beth Carvalho.


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