O SAMBA É PRIMO DO JAZZ


Como diz e canta nossa comadre Alcione Nazareth, “o samba é primo do Jazz”. Por isso, fomos até o Teatro Armando Gonzaga, em Hermes (Marechal é do outro lado) falar sobre o assunto no último dia 25/05, para uma plateia de estudantes da rede municipal.

O lance era apresentar e explicar um pouquinho o excelente documentário “Samba & Jazz” do diretor Jefferson Mello, que busca estabelecer as semelhanças os ambientes de nascimento da grande expressão musical afro-americana (Nova Orleans) e do samba carioca.

Então, falamos da África e sua musicalidade; da presença dessa música em todos os momentos da vida tradicional no continente; das antigas e poderosas civilizações africanas; da escravidão comercial que provocou o holocausto negro; de como a irresponsável abolição do escravismo no Brasil levou às mazelas de hoje… Mas também falamos de como nossa espiritualidade, embasada numa filosofia que quase ninguém ainda conhece bem, sustenta muita coisa importante, nos universos “paralelos” do samba e do jazz. Tudo isso colocado, na medida do possível, de acordo com as expectativas que tínhamos da compreensão da plateia.

Para felicidade nossa, a garotada ouviu tudo com muita atenção. E no final nos aplaudiu calorosamente. Até que veio a primeira pergunta:

“– O senhor é espírita ou macumbeiro?”

A bola quicando na nossa frente, esclarecemos que o espiritismo é um tipo de religiosidade em que o praticante se comunica com pessoas já falecidas, algo que só algumas tradições de origem africana praticam. E que “macumbeiro” é um termo pejorativo e já fora de moda. Porque na tradição do “Meu Lote” (nosso e de todos os amigos) nossa comunicação é com energias positivas que emanam da incomensurável Energia criadora e mantenedora do Universo, em busca do máximo possível de saúde, paz, estabilidade e desenvolvimento.

Quase toda a plateia entendeu. Até o primo trompetista, na tela, lá atrás! E nós voltamos pra casa cantando e dançando: Oh, When the saints go marchin’ in”.


Uma ideia sobre “O SAMBA É PRIMO DO JAZZ

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *