MUITO PRAZER, DOUTOR RIVAIR! OBRIGADO, MESTRES!


José Rivair Macedo

Totalmente de volta à nossa rotina, que é dura, mas extremamente agradável porque proveitosa, é hora de agradecer aos que nos proporcionaram os momentos indizíveis que eu e Sonia vivemos em Porto Alegre, RS, semana passada. Começamos pelo homem que teve a ideia da homenagem.

Quase três anos atrás, depois de uma busca frustrada que já vinha de algum tempo, chegou-me, através da amiga Irene Ernest Dias, o nome do professor José Rivair Macedo. Tratava-se de um jovem afrodescendente, doutor em História Social pela USP e professor de História da África na UFRGS, autor de vários livros sobre suas especialidades, que incluem História da Idade Média Europeia. Pois esse brilhante historiador, sem me conhecer pessoalmente, se dispôs a me ajudar na produção da obra “História da África – Séculos VII a XVI”, publicada este ano pela Autêntica Editora e ao qual vai se seguir o volume referente aos séculos XVI-XIX, já em elaboração.

O curioso disso tudo é que, até agora, nossa parceria fora apenas virtual e telefônica. Daí, o calor do abraço que nos demos no aeroporto Salgado Filho, no último dia 29 de novembro. Primeiro, porque, finalmente, à minha frente estava não o “professor doutor”, enfatiotado, engravatado, nariz em pé, mas o ser humano que logo percebi ser grande, muito grande… Um humanista no sentido mais amplo do termo.

E isso ficou mais patente ainda no momento que, no discurso em que saudava e justificava a láurea que me foi concedida por sua iniciativa, foi tomado de tanta emoção que teve que interromper a fala, retomada depois de um gole d’água oferecido pelo Magnífico Reitor de sua importante Universidade.

Pois foi o parceiro Rivair quem terçou armas para que eu conquistasse o mesmo título com que fora agraciado o escritor nigeriano Wole Soiynka (Prêmio Nobel de Literatura em 1986), alguns dias antes.

Na campanha por nosso nome, Rivair buscou apoios indiscutíveis. Entre eles, figuram no processo respectivo nomes estelares, como os dos professores titulares João José Reis, da UFBA; Muniz Sodré e Flávio dos Santos Gomes, da UFRJ; Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, Professora Emérita da UFSCAR e Conselheira da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação, relatora do Parecer que estabeleceu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais; Elisa Larkin Nascimento, mestre em Direito e Ciências Sociais e doutora em Psicologia e Maria de Lourdes Teodoro, doutora em Literatura Comparada pela Universidade de Paris III.

Que orgulho ouvir da boca de Rivair todos esses nomes e o que escreveram a nosso respeito!

Até que veio a surpresa maior, na leitura, pelo parceiro, da manifestação escrita pelo grande mestre e também amigo Alberto da Costa e Silva (foto abaixo), poeta e historiador, membro da Academia Brasileira de Letras e sem dúvida o maior africanista vivo do Brasil. Vejam!

Poeta, diplomata e historiador Alberto da Costa e Silva, vencedor do Prêmio Camões 2014. Guilherme Gonçalves/Academia Brasileira de Letras/Divulgação.

“Se o partirmos em vários pedaços, cada um deles continuará a ser um Nei Lopes inteiro. Um outro e o mesmo Nei Lopes, esteja, de microfone na mão, a interpretar, à frente de um conjunto orquestral, uma das centenas de músicas de sua autoria, ou, sentado diante de sua escrivaninha, a rastrear, numa pilha de livros, os caminhos percorridos por um vocábulo quicongo, quimbundo ou umbundo até o português que falamos no Brasil, ou a refazer em enredos de romance o que se sabe do passado do samba, ou a desfiar com segurança a rica e surpreendente história dos subúrbios cariocas, ou a redigir e inventariar os verbetes de uma preciosa Enciclopédia Brasileira da Diáspora Africana ou de outra de suas várias e utilíssimas obras de referência, ou, ainda, a deixar-se ser o poeta que é, de versos diretos, muitas vezes cortantes, nos quais não é incomum que os adjetivos se substantivem. Quer entregue a uma dessas tarefas, ou a dar forma a um de seus numerosos livros para crianças e adolescentes, ou a difundir os resultados de seus estudos sobre os africanos como coformadores do Brasil, Nei Lopes se auto desenha múltiplo na plenitude dos talentos, permanecendo, porém, uno e inteiro nas lições de apego aos saberes populares e na fidelidade aos valores com que entretece a sua vida e a tornam um combate incansável em favor do negro e contra tudo que sobre esse pesa ou o persegue”.

Assim falou o Mestre. E não precisamos dizer mais nada. Apenas agradecer aos amigos e às Forças Superiores do Universo, que nos proporcionaram este momento inenarrável.

Muito obrigado!


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