PIXINGUINHA, MUITO MAIS QUE CARINHOSO…


Pixinguinha (1897 – 1973)

O inesquecível PIXINGUINHA, que hoje (23/4) estaria aniversariando, foi saxofonista, flautista, compositor e arranjador, como todos sabemos. O que muitos não sabem é que, como compositor, foi comparado a Johann Sebastian Bach na arte da polifonia e do contraponto, além de arranjador de rara criatividade, o que o credenciou como um dos fundadores da moderna linguagem musical brasileira e um dos maiores nomes da música popular nacional no século XX.

Descendente direto de uma nobre linhagem de músicos afro-brasileiros que provém de Henrique Alves de Mesquita, Pixinguinha, consciente ou inconscientemente, também buscou seu referencial de identidade negra. Primeiro, compondo ou gravando canções de inspiração africana, algumas reunidas em uma seção de seu repertório intitulada “Cenas Africanas” – como Caruru, Pé de mulata, Samba de nego, Sai Exu, Foi muamba, Bengo, Patrão prenda seu gado, Cadê Vira-Mundo, Quequerê, Xô Kuringa, Mamãe Isabé, Iaô, Mulata baiana, Benguelê, Caboclo do mato, etc. –, e não por puro modismo, como se poderia supor. A própria “influência do jazz” que certamente sofreu após sua ida a Paris é exemplo disso. Tanto que em 1923 participava da “Bi-Orquestra Os Batutas”, uma jazz-band; e três anos depois integrava o elenco da Companhia Negra de Revistas.

Vinicius de Moraes e Pixinguinha

Imortalizado por Mário de Andrade como uma das personagens de Macunaíma; homenageado, em 1956, com seu nome na placa da rua em que morava; convidado para escrever a trilha do filme Sol sobre a lama em 1962 – aí nascendo uma prestigiosa parceria com o poeta Vinícius de Moraes; aclamado como um dos pais da música e da nacionalidade brasileiras, Pixinguinha não foi apenas o autor da linda melodia do “Carinhoso”, samba-choro de 1928, que em 1937 ganhou letra de Braguinha, o “João de Barro” da turma de Noel Rosa, mais tarde editor e produtor bem-sucedido.


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