CLEMENTINA E O DICIONÁRIO DA HISTÓRIA SOCIAL DO SAMBA

Chega ao Lote, por e-mail, uma interessante solicitação. Pede-nos a missivista, informações para uma tese acadêmica sobre a presença do candomblé no trabalho artístico da saudosa cantora Clementina de Jesus (1901 – 1987).

Clementina2016

Interessante o objeto da tese. Mas somos forçados a reconhecer que não temos informações concretas a respeito.

Sabemos, entretanto que a querida Quelé veio do ambiente cafeeiro do interior fluminense, pois nasceu na cidade fluminense de Valença. Sendo assim, é muito difícil que ela tenha tido vínculos com o “candomblé”, culto de orixás jeje-nagôs cuja expansão no Rio de Janeiro, antes da segunda metade do século 20, só se deu, pelo que sabemos, até a Baixada Fluminense.

O que Dona Clementina cantava da tradição afro-brasileira eram peças do universo banto, entrecruzadas com referências católicas – num fenômeno sincrético que ocorreu desde o século 16 no ambiente congo-angolano, origem da grande maioria dos africanos escravizados no Brasil. E “candomblé”, no sentido ortodoxo do termo, tem outras matrizes, mais exatamente aquelas vindas dos atuais territórios de Nigéria e Benin.

No nosso “Dicionário da História Social do Samba” (de Nei Lopes e Luiz Antonio Simas), incluído entre os dez melhores livros de não-ficção pelo jornal O Globo em 2015, os verbetes “África”, “Candomblé”, “Orixás”, e “Umbanda”, além das referências a Clementina de Jesus, nas páginas 16-17; 33; 103-104; 106, 152 e 199, esclarecem bem o assunto.

E foi esta a orientação que demos à estimada consulente, esperando ter contribuído, com o nosso Dicionário, para o sucesso de seu trabalho.

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