O PROTAGONISMO NEGRO NA CULTURA CARIOCA

Ruy Castro e Wagner Fernandes (na foto acima, clicada por Cristina Granato)

Ruy Castro e Wagner Fernandes (na foto acima, clicada por Cristina Granato)

Dias atrás no evento “Back 2 Black” o Velhote do Lote conversava sobre o protagonismo dos negros na cultura carioca, com os colegas escritores Ruy Castro e Wagner Fernandes (na foto acima, clicada por Cristina Granato). Falávamos de como a presença de pretos e pardos já foi importante nessa cultura, até meados do século 20. E como hoje as pessoas mais destacadas são, em esmagadora maioria, portadoras de sobrenomes que identificam origem europeia ou levantina, i.e., do Oriente Médio. Exemplo: “a colônia libanesa hoje no Brasil supera a população do Líbano” (O Globo, Ancelmo, 21/03/2015).

Nada contra! Parabéns aos que ascenderam pelo talento e pelo trabalho! Mas saber, com provas históricas, que a exclusão dos afrodescendentes foi programada, por políticas públicas, chateia muito. Mas muito mesmo!

Nosso povo afrocarioca já teve os mais celebrados escritores. As obras de Machado de Assis, João do Rio e Lima Barreto, por exemplo, estão aí para comprovar.

E já teve, além dos grandes atores, músicos, pintores etc., os mais renomados professores.

Vejamos este verbete da nossa “Encilopédia Brasileira da Diáspora Africana” (Selo Negro, 4a. ed.2011):

MESTRE-ESCOLA. Professor de primeiras letras. No Brasil do século XIX, muitos desses professores eram de origem africana. Nessa época, o preparo de um moço era julgado pelo nome do mestre com o qual se dera o seu aprendizado. Na Bahia, segundo Manuel Querino, os mais reputados mestres-escolas foram João Pereira da Conceição, André Gomes de Brito, Maximiano Soares Lopes, Manuel Luís Gomes Vinhas, André Avelino de Sousa e Francisco de Assis Trinchão, entre outros (…)”.

Muitos dos mais importantes homens públicos brasileiros tiveram professores negros. Que foram saindo de cena, aos pouquinhos, à medida que o empoderamento, na sociedade brasileira, ia mudando de cor.

E foi isso que faltou dizer no Back 2 Black, onde o que se discutiu ficou basicamente restrito ao campo da música.

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P.S. Este ano a Cultura carioca celebra os centenários de nascimento de Grande Otelo (sobre quem não é necessário dizer mais nada) e de Haroldo Barbosa, homem de rádio, da TV, jornalista, humorista, grande compositor, hoje considerado o primeiro artista “multimídia” do Brasil. Brincava em todas o velho Haroldo, autor de grandes letras do repertório da inesquecível Elizeth Cardoso.

3 ideias sobre “O PROTAGONISMO NEGRO NA CULTURA CARIOCA

  1. É esquisito; mas o plural de “mestre-escola” é “mestres-escolas”, mesmo. Mas agora o povo diz “professor primário”. E aí o plural fica ainda pior. E o salário, ó !!! Coitados dos mestres!

  2. Lendo seu texto me ocorreu que nós negros corremos o risco de desaparecermos oralmente do mapa. Todos os termos que designam o negro ou fazem referência a ele, são considerados ofensivos, de um jeito que chega a ser crime chamar um negro de negro. Favela, é comunidade. Negro é afrodescendente. Essa preocupação respaldada pelo equipamento governamental sempre me incomodou, afinal o preconceito não está necessariamente em como nos chamam, mas na maneirq que nos tratam. E olhe aí, o conteúdo do seu texto.
    Pode discordar, eu deixo.
    Grande abraço

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