ESFRIANDO OS TAMBORINS – Nei Lopes no blog de Sidney Rezende

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Nei Lopes: ‘Eu tenho é medo do Carnaval de hoje’

Leonardo Guedes*

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O verbete sobre o compositor, cantor e escritor carioca Nei Lopes na enciclopédia virtual Wikipedia informa que ele “vem, desde pelo menos os anos 80, marcando decisivamente seu espaço, às vezes com guinadas surpreendentes”. E o próprio explicou como esse espaço vem sendo marcado em entrevista concedida por e­-mail ao SRZD. Aos 71 anos, o autor de músicas marcantes como “Senhora liberdade” e “Tempo de Dondon” (clique aqui para ouvir) falou sobre sua ligação com o Carnaval, sem deixar de lado uma análise crítica a respeito do que considera uma interferência do mercado na espontaneidade da festa, contou detalhes sobre histórias de composições conhecidas, como a própria “Senhora liberdade” (um tema baseado na vida dos presidiários que acabou associado ao fim da Ditadura Militar), sobre seu trabalho de pesquisa, preservação e divulgação das culturas africanas, sobre luta para evitar a separação de gênero entre o samba e a MPB e também a respeito de assuntos de momento, como os chamados “rolezinhos” nos shoppings (“A garotada da periferia, geográfica ou monetária, está reivindicando ter direito também a consumir o que as grandes corporações mandam”). Confira:

SRZD: O Carnaval está se aproximando e você tem uma ligação muito forte com as escolas de samba, em especial com o Salgueiro e a Vila Isabel. Como o sambista e o conhecedor da cultura africana Nei Lopes está se preparando para este ano?

Nei Lopes: Estou de longe me preparando pro Carnaval; me entristecendo com mais uma tragédia enlutando o Salgueiro (se referindo à morte do vice-­presidente da agremiação, Marcelo Tijolo, baleado semana passada na Zona Norte do Rio), como quase sempre acontece nesta época. Me preparo como sambista, sim, pois esta é uma condição que não vou perder nunca; mas longe da avenida, como um trabalhador que procura olhar um pouquinho mais adiante. Assim, continuo na difícil tarefa de demonstrar que samba e carnaval não são a mesma coisa. Já há algum tempo, tenho me afastado da “folia”, que hoje, no Rio e no Brasil, é muito mais “oportunidade de negócios” do que farra, pândega, descontração; e me afasto pra procurar entender o processo. O resultado já está quase no prelo, exposto no “Dicionário da história social do samba”, que estou acabando de criar com a ajuda do amigo Luiz Antonio Simas.

SRZD: No panorama atual do Carnaval carioca, temos dois grandes momentos: o desfile da Sapucaí e os blocos de rua, cada qual com seu gigantismo. No primeiro, temos visto nos últimostempos alguns enredos que têm pouca ligação com a temática histórica da cultura brasileira. No segundo, vemos um crescimento no número de blocos e participantes. Como você analisa todo esse quadro atual do Carnaval do Rio?

Nei Lopes: Não há como fugir do que eu disse antes. Os blocos de rua, hoje, já conseguem apresentar mais criatividade, tempos atrás, todos obedeciam mais ou menos ao padrão “escola de samba”. Mas isso ocorre mais por razões de mercado do que por espontaneidade. Observe que esses blocos já estão federados numa “liga”; e isso é estranho. Aí, eu me lembro do tempo em que a gente pegava um surdo, um tarol, um tamborim, chamava o vizinho que tocava cavaquinho e o outro que tocava pistom e saía pra rua tocando e cantando. Em cada esquina que o grupo passava, ia entrando gente. Aí virava bloco, mesmo. E depois que a gente chegava no coreto, dava aquela “pausa que refresca”, tomava uma cerveja, comia um bolinho de aipim com carne e voltava, feliz pelo “dever” cumprido. Entendeu? Mais tarde é que vieram os blocos de embalo, de multidão, com o Bafo da Onça e depois o Cacique de Ramos. Mas aí já tinha uma intenção diferente. Observe você que o aspecto industrial que marca hoje, por exemplo, a confecção das fantasias nas escolas de samba, começou aí, com os “índios” caciqueanos. E quando você me fala da pouca ligação dos atuais enredos das escolas de samba com a cultura brasileira o raciocínio é o mesmo: o mais importante agora é ganhar uma grana (que não é pouca!). Então, qualquer compromisso com conhecimento, saber, vai pro brejo. O que conta é o espetáculo, ou melhor o “show­business”, o dinheiro, enfim.

SRZD: O Nei Lopes tem nostalgia dos antigos carnavais?

NL: Não tenho, não! O que eu tenho é medo do Carnaval de hoje.

SRZD: Uma de suas músicas mais famosas é “Senhora liberdade” (parceria com Wilson Moreira e sucesso na voz de Zezé Motta), no final da década de 1970, e ficou muito associada ao momento político da ocasião (decadência do Regime Militar). Como foi que a canção surgiu?Havia mesmo a intenção de retratar aquele momento histórico? Houve problemas com a Censura?

NL: Eu já desmitifiquei essa história. “Senhora Liberdade” (clique aqui para ouvir) é um samba de cadeia, ou seja: foi criado com base num tipo de repertório que nascia antigamente nos presídios e penitenciárias. Esses sambas que, acho, não surgem mais, eram lamentos que alguns presos cantavam, por força de sua situação. “Não sou um réu, mas a Justiça me condena / Que culpa cabe a mim? Que mal eu fiz a essa pequena?”, dizia um desses compositores anônimos, ao que parece incurso no artigo 217 do antigo Código Penal, que tipificava um dos crimes contra a honra: sedução. Um dia perguntei ao Wilson, agente penitenciário, hoje aposentado, se conhecia alguns desses sambas. Ante a resposta afirmativa, e a admiração dele por esses sambas, propus fazermos um. E fizemos “Senhora Liberdade”. Que é um dos exemplares dos “sambas jurídicos” do meu repertório de ex-­advogado. Não lembro de problemas com a censura…Lembro é que, com a Abertura Política e a campanha das “Diretas Já” esse samba foi mitificado, como foi o “Tô voltando” do Maurício Tapajós (composto em parceria com Paulo Cesar Pinheiro e sucesso na voz de Simone). Fazer o quê? Valeu!

SRZD: Outro samba seu, em parceria com João Nogueira (na década de 1980), chama­-se “Eu não falo gringo” (clique aqui para ouvir). Essa chegou a ser proibida de execução pública pela Censura da época. Por quê? A letra fala sobre a questão da influência estrangeira, principalmente a americana, na cultura brasileira. Nos dias de hoje, você observa essa questão com preocupação? Você acredita que as gerações mais novas também buscam conhecer a cultura nacional?

NL: Essa letra teve dois grandes motivos pra chatear a Ditadura (ou não). Na primeira parte, que é só do João, ele diz : “Minha profissão é bicho, canto samba o ano inteiro”. Eu, agora, quando me pedem pra cantar, digo “minha profissão é isso”. O outro motivo de censura é uma palavra feia, que eu botei na letra: “Bunda de malandro velho não se ajeita em calça Lee”. O samba é até doce, quando eu digo: “Até tenho um certo carinho/ por esse velhinho/ chamado Tio Sam /Só não gosto é da prosopopéia/ que armou na Coréia /e no Vietnam”. Não havia motivo pra censura. Quanto à busca da cultura nacional pelas gerações mais novas, seria ótimo que assim fosse. De fato, uns poucos até que buscam. Mas o problema é que os “donos da gente” já nos impuseram, desde o século passado a “ditadura da música única”, como diz o Eduardo Galeano (escritor uruguaio, autor do clássico “As veias abertas da América Latina”). E na estratégia de imposição desse padrão, que engloba toda a cultura, a rapaziada é levada a acreditar que “cultura nacional” já era, tá por fora. E que cultura, mesmo, é a “urbana”, “contemporânea”, que vem de fora. E escrevo esses adjetivos entre aspas para mostrar como eles foram ressignificados para justificar a colonização cultural. Aliás, aquela mesma que eu e João Nogueira apontávamos no samba “Eu não falo gringo”, agora potencializada.

SRZD: Falando em jovens, temos visto a realização dos chamados “rolezinhos”. Há o lado político e sociológico deste evento, que é a busca junto com a manifestação dos jovens da periferia por opções de lazer e entretenimento, mas que entram em choque com preconceitos e receios da chamada “elite”. Você tem alguma análise sobre esse momento?

NL: O mais comovente nessa história toda, como foi nas manifestações de rua, em junho, é ver os jovens irem para o espaço público, pro “rolé” (“rolê” é paulista) ou pro quebra­quebra, de tênis “mizuno”, boné “náique”, camisa “adidas” ou com inscrições em inglês. Dá muita pena! Acho que a reflexão tem que ser feita em cima disso, também. A garotada da periferia, geográfica ou monetária, está reivindicando ter direito também a consumir o que as grandes corporações mandam seus congêneres melhor aquinhoados comprarem. Não é patético? Aí, eu lembro de novo a parceria com o João: “Jerusa comprou uma blusa/ dessas made in USA/ e fez a tradução:/ A frase que tinha no peito/ quando olhou direito/ era um palavrão”, diz a letra.

SRZD: Como eu já tinha dito no começo das perguntas, o senhor tem um trabalho intenso de pesquisa e divulgação da cultura africana e suas ligações com o Brasil. Qual seu trabalho mais recente nesta área?

NL: Em 2012, eu lancei a segunda edição aumentada do meu “Dicionário banto do Brasil”, onde estudo as etimologias africanas de centenas de palavras do nosso cotidiano, como “carimbo”, “camundongo”, “marimbondo”, “tanga”, “canga”, “sunga” etc., etc., etc. Nesse mesmo ano, lancei o “Dicionário da Hinterlândia Carioca”, especificamente sobre a cultura subrurbana, mas que contempla muitos aspectos da africanidade; e lancei também o romance “A lua triste descamba”, que focaliza o universo do nascimento das escolas de samba nas décadas de 1920­30. Agora, tenho o “Dicionário da História Social do Samba”, de que já falei; o “Poétnica: poesia completa de Nei Lopes” (1968 – 2013), pela jovem editora Mórula; e “Contos e Crônicas”, uma seleta a ser publicada na coleção “Para ler na escola” da Editora Objetiva. O núcleo de tudo que eu escrevo é sempre o da cultura do meu povo.

SRZD: E do ponto de vista geral, como você observa a presença do negro na cultura atual, na mídia principalmente?

NL: A imigração, principalmente europeia, no Brasil, rendeu ótimos frutos. Os eurodescendentes, filhos, netos e bisnetos de europeus aqui chegados a partir da segunda metade do século XIX inseriram-­se auspiciosamente na sociedade brasileira, galgando todos os patamares, graças, é claro, a sua capacidade e ao seu esforço. Já, com relação aos afrodescendentes ocorreu o oposto: todas as barreiras foram criadas, inclusive pelo Estado, para impedir seu desenvolvimento. E só após a década de 1980 começaram a ser criadas políticas públicas objetivando remediar a péssima situação deste segmento, no qual me incluo. Eu mesmo sou um caso típico: dos 12 filhos nascidos e criados por meus pais a partir de 1917, só eu, o mais novo, nascido em 1942 pude ultrapassar a instrução primária e chegar à Universidade. E muitos dos meus irmãos eram, sinceramente, muito mais bem dotados do que eu. Por todas essas razões, a presença do negro na cultura brasileira, pelo menos como beneficiário dos dividendos que essa cultura rende, ainda é bastante rarefeita, o que comprovam os sobrenomes das principais “celebridades” brasileiras que, ressalte­se, não têm nenhuma culpa de as coisas serem como são . E o pior é que nossos jovens estão em geral sendo conduzidos para carreiras charmosas, glamourosas, onde os espaços são restritos. Todo mundo quer ser ator, modelo, manequim, fotógrafo de moda… A cultura precisa também de jornalistas, advogados, administradores, além, é claro, de escritores, cenógrafos etc. E mesmo da “turma da pesada”, dentro de suas especializações.

SRZD: Além do trabalho musical, você também é escritor, com vários romances em sua bibliografia. Há outra produção literária a caminho? Se tiver, podes antecipar qual será o enredo?

NL: No final do ano, acabei de compor dezoito canções (letras e melodias) para o musical “Bilac vê estrelas”, da Heloisa Seixas, baseado no romance homônimo do Ruy Castro. Foi um trabalho (lítero­musical) que me deu muita alegria. Quanto a literatura, mesmo, aguardo a publicação de “Rio Negro, 50”, um romance sobre a vida dos negros cariocas na importante e decisiva década de 1950. Está sendo analisado por uma grande editora. E estou pesquisando e criando, ao mesmo tempo, um volume de contos sobre o recôncavo da baía de Guanabara, com todas aquelas ilhas que a gente vê quando passa pela Linha Vermelha. Estou inventando histórias pra elas e pras que desapareceram com os muitos aterros. De repente, me veio a vontade de ler e escrever sobre isso, lembrando uns parentes nossos que moravam no Caju, aonde eu cheguei a tomar banho de mar; e de uma falecida cunhada, cujo pai era pescador na praia de Maria Angu, entre Olaria e Penha. Quando a história não existe, a gente inventa. Fora isso, estou criando, aos poucos, um musical sobre os “100 anos do samba”, que vêm aí.

SRZD: Voltando à música: outra obra sua, também com o Wilson (e gravada junto com Evandro Mesquita) é o partido-­alto “Fidelidade partidária” (Clique aqui para ouvir). A letra fala em “não fazer acordo com a parte contrária, nem demagogia com a classe operária e rejeitar propina em sua conta bancária”. O Nei Lopes ainda tem esperança com a política?

NL: Nenhuma! Mas, nenhuma mesmo! Você já reparou que a única Justiça que funciona com rapidez, celeridade, agilidade e modernidade no Brasil é a Eleitoral? Alguém já se questionou por quê? Agora, já tem até “voto biométrico”. Altas tecnologias! Felizmente, eu já não preciso mais votar. É a única vantagem de ter mais de 70 anos.

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SRZD: Suas composições são marcadas por um ritmo ágil nas rimas (como em “Partido ao cubo”) e, outras, pelo uso de expressões de dialetos africanos (como em “Que zungu” – Clique aqui para ouvir). Você tem algum método de composição? Quais suas principais influências?

NL: Tenho método, sim, mas não vou abrir o jogo porque isto é uma entrevista e não uma oficina de versificação (rs,rs,rs). Meu gosto pelas rimas e pela métrica vem de um livro de poesias de Olavo Bilac (olha ele aí de novo!) que ganhei do meu padrinho quanto eu tinha treze anos de idade. Depois, digo com orgulho que me aprimorei, sim, mas não foi lendo nenhum poeta “bacana”, mas um enorme poeta chamado Giuseppe Ghiaroni, que foi esnobado porque ela redator da Rádio Nacional; e hoje pouca gente sabe quem foi. Mais tarde, li bastante o Geir Campos, que foi também um artista do verso, tanto que é autor de um “Dicionário de Arte Poética”. Quanto ao uso de vocábulos de línguas (e não “dialetos”) africanos decorre de minha familiaridade com esse universo, e também da sonoridade das palavras.

SRZD: O compositor e cantor Nei Lopes continua produzindo? A parceria com Wilson Moreira, como anda? Você também tem composto com outros parceiros?

NL: Hoje sou mais um compositor “de resultados”. Quando me pedem, eu faço. E já “inteirei” sambas de muitos colegas mais novos que inclusive os gravaram. Tenho também enviado letras para os rapazes do Quinteto e Branco e Preto, de São Paulo. Eles põem melodias e me enviam os sambas gravados, o que representa uma grande vantagem, pela facilidade. Mas, de um modo geral, os artistas mais novos estão apostando em regravações. E é aí que a parceria com Wilson Moreira sempre aparece. E de vez em quando me ocorre uma ideia diferente; e eu escrevo.

SRZD: Estava lendo seu blog, e vi que uma preocupação sua é com a dissociação que alguns querem fazer entre samba e MPB. Na sua opinião, por que há essa tentativa de separação entre um e outro?

NL: Querem fazer, não! Já fizeram. E todo mundo entrou nessa! Veja bem: a sigla MPB vem de “música popular brasileira”. Foi criada numa época em que tudo era sigla: PIS, PASEP, FUNRURAL, MOBRAL… A grande característica dessa época, salvo erro de interpretação, foi a tentativa, bem sucedida, de entregar a indústria cultural brasileira nas mãos das grandes corporações. Na musica, procurou-­se criar algo que, sintomaticamente, foi batizado como “som livre para exportação”, num projeto que foi inclusive ancorado por um programa de tevê (se refere ao programa “Som Livre Exportação, exibido pela “Rede Globo” no começo da década de 1970). E aí, nessa, o samba, que já tinha tido seus pandeiros e cavaquinhos renegados e proscritos pelo estilo bossa­ nova, nascido no seu seio, foi posto pra escanteio também. O novo figurino era “universitário” e o samba tinha, quando muito, o quarto ano primário. Então, não podia, pegava mal: samba era uma coisa, “MPB” era outra, muito mais importante segundo a visão forjada. Mas a separação não tem sentido; o “Madalena” do Ivan Lins & Vitor Martins é um samba com piano; Chico Buarque sempre fez sambas; ótimos aliás… Até o final da década de 1970, a bossa­ nova se chamava “samba moderno”. Quem não acreditar, que consulte os jornais e revistas da época. Isso não ocorreu por caso fortuito, por acaso, inocentemente, não.

SRZD: Para encerrar: você também acredita, como Nelson Sargento, que o “samba agoniza mas não morre”?

NL: Essa frase do querido Nelson Sargento é comparável aquela que disse que São Paulo é o “túmulo do samba”. O samba jamais agonizou. E quem se dispuser a estudar sua História a fundo vai ver é que ele foi roubado e espoliado desde que teve descoberto seu valor econômico. E sempre reagiu, recriando-­se em vários estilos e vertentes, que chegam às dezenas, como eu e o Simas estamos mostrando em nosso Dicionário. Um desses estilos é o da bossa ­nova, que eu vejo/ouço, todo dia e toda hora, cantado em inglês ou mesmo em brasileiro, num dos canais de áudio da TV paga… Mas só que no canal dedicado ao jazz. O samba é tungado, esfaqueado, baleado, mas sempre “sarta de banda” e aparece do outro lado, lépido e faceiro, com outra roupa. Ah, moleque !!!

* Colaborador do SRZD

11 ideias sobre “ESFRIANDO OS TAMBORINS – Nei Lopes no blog de Sidney Rezende

  1. Cá estou eu novamente pelas quebradas depois de um longo e tenebroso
    silêncio, como se dizia antigamente, por motivos de força maior. Gostaria
    mesmo, meu caro Nei, é que uns malandrinhos aqui em Santos, “profundos conhecedores do samba” dessem uma olhadinha nessa entrevista pra ver que, no fundo, mas bem lá no fundo o buraco é mais embaixo e que puleiro de pato é terreiro. Não me iludo, afinal, como você
    bem diz, atualmente o que vale mesmo é o money, o cascalho.

    Abraços

  2. Nei, não sei se você já conhece esse vídeo:

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    Alguma alma boa gravou esse programa do Tinhorão, pra TVE nos anos 80, com as velhas guardas das escolas de samba, e agora compartilhou na internet. Logo no início do vídeo são os veteranos do Salgueiro. Essa é pra você matar as saudades dos seus amigos da Academia.
    Aliás, fica o pedido pra que você compartilhe cada vez mais por aqui, ou pelos seus escritos, um pouco da sua vivência no Salgueiro, do contato com esses mestres, da musicalidade que você incorporou desse ambiente, e fale das figuras daquele morro.

  3. Mestre, coloquei o link mas, por algum motivo, o blog não publicou.
    Vou testar:

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  4. GRANDE MESTRE NEI LOPES…..Nei, eu venho a algum tempo pesquisando esse nosso Samba, sou percussionista, e estive em busca dessa origem em Angola, onde pude aprender a tocar o Semba, sinto algumas estruturas rìtmicas parecidas, voce tem algum conhecimento sobre isso?….gostaria muito de poder toca-lo pra voce ver oque acha……forte abraço meu mestre.

  5. RODRIGO, o (a) semba que eu conheço e ouvi lá em Angola, já me parece algo meio caribenho — aliás, como toda a música popular africana surgida após as independências. O gene afrocaribenho formou essas músicas, numa instigante “volta às origens”. Para mim, o samba que Angola conheceu (o do rádio) já chegou lá bastante desafricanizado. E não gerou o que a RUMBA cubana e o MERENGUE haitiano conseguiram. Esta é minha modesta opinião.
    P.S.: O dia que eu for “mestre” vou reger uma bateria de escola de samba (rs,rs,rs). Abração !!!

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