EU E O DR. MARTIN LUTHER KING JR.

Eu e o dr martin

Eu também tenho um sonho:

De que meus netos, um dia, viverão num país onde não precisarão mais autodeclarar-se “pretos” ou “pardos”, pois já não haverá mais barreiras que os impeçam de usufruir todas as prerrogativas da  cidadania a que têm direito.

Num país onde os jovens pretos e pardos não sejam  ilusoriamente orientados a se manterem no “seu lugar” periférico; e, sim, educados para  chegarem  ao centro e ao topo, e de lá se engajarem na luta contra o racismo, inclusive o que se traveste de paternalismo.

Num país, enfim, onde jovens médicas de um país irmão (que resiste bravamente ao capitalismo selvagem e ao imperialismo) não sejam mais vistas como “empregadas domésticas” só por terem a pele escura.

5 ideias sobre “EU E O DR. MARTIN LUTHER KING JR.

  1. Este texto, publicado hoje na seção de cartas de O Globo, é resposta a um artigo publicado nesse jornal no dia 28, no qual o articulista dizia que Martin Luther King, em seu celebre disurso “I have a dream” não falou em África nem em raça, que isso era coisa do velho W.E.B. Dubois (1868 – 1963), que nós estaríamos querendo imitar. Dr. King disse: “Eu tenho um sonho de que meus quatro filhinhos, um dia, viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo do seu caráter…”. Uma das estratégias do racismo brasileiro é tentar convencer as pessoas de que “raça não existe”. E, assim, ele opera na moita, na calada da noite, no silêncio, não deixando que o nosso povo adquira consciência para que, assim, tudo permaneça como está.

  2. Nei, aqui na terra, em 1968, desafiando os poderosos de plantão, um
    negro advogado, socialista, cantor e jornalista, que não conhecia e nem
    reconhecia o seu lugar, Esmeraldo Tarquínio, foi eleito, pela maioria do
    povo, Prefeito Municipal. A elite branca não gostou e o nosso Prefeito foi
    cassado e a cidade sofreu intervenção federal. Nos anos 70, um grande
    sambista, para mim o maior daqui, Daniel Feijoada, estivador, cantor, ator,
    e bom na tiririca e o escambau, por não conhecer e nem reconhecer o seu lugar, foi proibido de participar da eleição de cidadão samba. Ambos
    tinham alma negra.
    Afinal, Nei, onde é o lugar? Depois de 1888, os afrodescendentes foram
    jogados nos cortiços das cidades. Para afrancesar as cidades, empurraram os negros para os morros e logo ganharam o nome de
    favela. Enquanto as favelas eram “barracão de zinco, sem telhado, sem
    pintura e bem pertinho do céu”, tudo uma maravilha. Enquanto desciam
    do morro para apresentar ao distinto público a beleza das Escolas de Samba, maravilha. Um dia, meu caro, a favela desceu o morro pra cobrar a conta, então a rapaziada se assustou e depois de muito planejamento chegaram a conclusão que era preciso pacificar(?) as favelas. Como? Simples, criaram a tal UPP, ou seja, chamaram a policia
    para pacificar. Policia para pacificar?
    Ora, caro Nei, o nosso lugar é em qualquer lugar, na Presidência do STF, nas Universidades, em Frankfurt e, esse dia virá, na Presidência
    do País. Um dia, carnavalescos bobos da corte de TV, nunca mais.
    Quando eu, muito menino, branquelo metido a sambar, fui me meter em
    Escola de Samba, isso há quase 50 anos, contava-se nos dedos o número de brancos. Depois da TV, as Escolas precisavam de glamour e
    purpurina e por isso foram pasteurizadas e sofreram uma assepsia em
    larga escala, deixando de ser um núcleo de resistência, se transformando em nada, sem alma. Pelo andar da comissão de frente,
    logo, logo vamos ter uma ala de baianas da Finlândia, uma ala de passistas da Noruega e, como tudo é possível abaixo do equador, numa
    dessas, algum político terá que apresentar um projeito de lei propondo uma nova política de cotas para negros em Escolas de Samba.
    Abraços Nei.

  3. Nei Lopes ,Nei Lopes! O articulista não gosta de ser contrariado. Se você contraria-lo ele (D.M.) o chamará de racista. Você sabe que ele junto com aquela pesquisadora de negros e o Ali……insiste em dizer que nós não somos racistas,. Simplesmente não gostamos daquilo que é diferente.

  4. Cada comentário, uma pedrada. Que saudade que dava esse cantinho virtual, hein, Velhote. Parabéns pelo sítio virtual (ou roça, daquela que o Nei não troca pela roça de ninguém, como na animada versão de Moro na Roça, que o Velhote manda bem no CD Samba pras Crianças)

    Ah, comprei esse CD e a Aisha se esbalda no auge de seus onze meses de vida e de samba. Aqui no cafofito funk ostentação e bundalelês e pagode gospel não tem vez, não, embora a vizinha está cada vez mais insidiosa

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