“PEDRA DA MEMÓRIA”: UMA OBRA MARAVILHOSA, EM FORMA E CONTEÚDO

Poucos dias depois de nosso retorno ao Lote, vindo das misteriosas terras e águas maranhenses, chega aqui o maravilhoso Livro/DVD “Pedra da memória: Euclides Talabyan. Minha universidade é o tempo”, belíssimo documento de Renata Amaral tendo como centro o renomado sacerdote maranhense.

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De nome civil Euclides Menezes Ferreira, esse importante chefe religioso, nascido em São Luís em 1937, vem marcando sua trajetória por realizações ímpares. Tendo, segundo seu próprio relato (em “O candomblé no Maranhão, 1984”), “bolado” em 1944, neste mesmo ano começou a “dançar” no Terreiro do Egito, cumprindo os ritos de iniciação em dezembro de 1950. Em 1958, devidamente autorizado, fundou a Tenda São Jorge Jardim de Oeira da nação Fanti-Axanti, popularmente conhecida como Casa Fanti-Axanti, e caracterizada como uma comunidade-terreiro da vertente de culto conhecida como “mina”.

Entretanto, preparando-se a partir de 1976, dois anos depois incorporava aos rituais de sua comunidade práticas jejes e nagôs, através de acréscimos de fundamento que recebeu dos sacerdotes Manuel Papai, Maria das Dores da Silva e Djanira Alves (da nação nagô-oió, em Recife) e de Severino Ramos da Silva, conhecido como Raminho de Oxóssi (do jeje-marrim, na Bahia). E isso, segundo suas palavras, porque nem a Casa-de-Nagô nem a Casa-das-Minas iniciavam pessoas do sexo masculino. Além disso, o sacerdote empenhou-se até 1979 em manter o Terreiro do Egito, em Itaqui; e em 1984 ainda chefiava o Terreiro da Turquia, no Outeiro da Cruz.

De forte presença na mídia, em 1990 Pai Euclides foi focalizado no documentário cinematográfico Atlântico Negro, no qual interpretou uma cantiga ritual jeje, compreendida e respondida por sacerdotes no Benin. Nos anos 2000 teve participação destacada em vários importantes registros sonoros e audiovisuais feitos em sua comunidade, produzidos principalmente pelo grupo cultural A Barca, de São Paulo.

Agora, Renata Amaral, oriunda do grupo, lança esse magnífico e indispensável Pedra da Memória que temos a honra de recomendar, não só pelo conteúdo como pela beleza de sua apresentação.

4 ideias sobre ““PEDRA DA MEMÓRIA”: UMA OBRA MARAVILHOSA, EM FORMA E CONTEÚDO

  1. São esses relatos que nutrem nossa sede de informação pelas origens, que a escola oficial até hoje não aborda. Preciso saber se encontro a obra no Rio ou, no Maranhão, onde buscá-la.
    Grata por mais essa dica.
    Abs,
    Marilia.

    • Marília,
      Bom dia. Logo no início do texto se você clicar em “Pedra da memória: Euclides Talabyan. Minha universidade é o tempo”, será direcionada para a página com todas as informações sobre o livro.
      Att.

  2. Fico muito feliz em saber que o querido Nei Lopes esteve em minha terra, ao mesmo tempo que fico triste em não sabido a tempo de sua visita, a ponto de poder conhecê-lo e ter meus exemplares de seus livros devidamente autografados. Espero que retorne em breve pra comer uma caranguejada com arroz de toucinho conosco, e saber mais de nossa gente!

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