VIRADA À PAULISTA – Vi lá a Madalena, na beira da praia

VIRADA À PAULISTA

VIRADA À PAULISTA – Vi lá a Madalena, na beira da praia

Conta a lenda que, tempos atrás, o querido parceiro Wilson Moreira, de vez em quando, de bobeira, pegava um Cometa na Rodoviária e ia até Sampa. Pra saborear um “virado à paulista”.

Lembramos dessa historinha, que o próprio Moreira nos contou, na noite do sábado 18, no borbulhar da “Virada Cultural” promovida na terra do sincopado Germano Mathias, na qual rolou literalmente de tudo. E onde o Samba não poderia deixar de constar do cardápio – porque lá, talvez mais do que em qualquer outro lugar, sambista goza de consideração e respeito.

A lembrança veio depois do trabalho, à mesa da “Peixaria”, o Velhote mais uma vez boquiaberto com artimanhas do grande Cícero, dublê de “restaurateur” e diretor de arte, dono também do fortíssimo Bar Samba, em cujo “terreiro” de vez em quando o Velhote do Lote dá, ainda a sua ciscadinha.

O Cícero – cujo nome, em latim, significa “ervilha” ou “grão-de-bico”, mas passou à História por conta de um grande orador romano; e designa também uma medida tipográfica (e aí tem a ver, pois ele é das artes ditas gráficas, outrora) –; o Cícero é “o cara”. Tranquilão, incapaz de uma “catilinária”, mesmo contra um bêbado chato, ele tem o dom de botar o toque de sua arte em tudo o que faz. Assim, a “Peixaria” é uma obra artística também.

Na entrada, fica a peixaria propriamente dita (e como!), onde o freguês pode comprar a mercadoria e mandar fazer do seu jeito, com até dois acompanhamentos. No enorme salão, o cliente (freguês é de balcão) vai se maravilhar com um cenário de novela praiana, das sete, com redes de pesca dependuradas, mesas rústicas de madeira, e prateleiras repletas de artigo populares. A cerveja, de garrafa, vem no isopor branco, daqueles que a gente leva pra praia. Mas tem vinho também; pra Ed Motta nenhum botar defeito. E tem também a calçada, no mesmo clima.

Não estou vendendo o peixe conforme me contaram. E, sim, como o(s) comi, temperado e azeitado no molho da sincera amizade do Cícero, de sua gentil “patroa” e do nosso amigo-irmão Carmo Lima, padroeiro da Irmandade dos Carmelitas, maiores e descalços (o Velhote é desta última) – um cara tão importante em Sampa que já tem um Largo só dele, uma igreja, e agora um sésqui, o SESC do Carmo, onde cantamos nosso sambinha, celebrando a Virada e o aniversário do amigo.

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De volta a casa, vendo na estante o CD “Partido ao Cubo”, o Velhote não podia deixar de lembrar do Dunga e do “Partido Pescado” que fizemos juntos. Que vai aqui, graças às habilidades tecnológicas do Neizinho, pai do Neinho e da Larissa, reproduzido em agradecimento ao Cícero e sua oceânica generosidade.

PARTIDO PESCADO
(Dunga e Nei Lopes)
Ô pescador, ô pescador
Me diz o nome
Do peixe que você pescou,
Pescador (BIS)

Tem anchova, garoupa e pescadinha
Piraúna, badejo e tubarão,
Bagre, olho-de-boi e olho-de-cão
Tira-e-vira, traíra e cavalinha
Serra, tucunaré, pargo e tainha
Caçonete, corvina e namorado
Xerelete, xaréu, anjo e dourado
Peixe-boi, peixe-pedra e baiacu
Pampo, mero, cação, pirarucu
Carapeba, jaú, cherne e linguado
(pescador)

Cororoca, manjuba e jacundá
Guarijuba, cascudo e peixe-galo
Mandubé, surubim, trilha e robalo
Piraíba, pintado e jandiá,
Poraquê, mafurá e marimbá
Sarapó, jatuarana e tambaqui
Pirajuba, piranha e acari
Pirapema, salema e aruanã
Piramboia, piau, curimatã
Peixe-espada, muçum e parati
(pescador)

Barracuda, xixarro e muzundu
Sororoca, savelha e mangangá
Palombeta, merluza e canguá
Caratinga, moréia e tanduju
Prejereba, paru, caramuru
Guaricema, acará, camarupim
Treme-terra, mangonha e anequim
Albacora, mandi, sebastião
Papa-terra, caicanha e budião
Roncador, aratu, moreatim
(pescador)

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PEIXARIA
(Bar e venda)
Rua Inácio Pereira da Rocha, 112
Com Rua Fidalga, nº. 13
Vila Madalena, SP – Tel.: (11) 2589-3963

 

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