VALONGO E BARRIGA DE ALUGUEL

Dias atrás, líamos em O Globo artigo do escritor Dodô Azevedo defendendo a ideia de que o Cais do Valongo, agora reconhecido como “patrimônio da humanidade” pela Unesco, seria o “útero” do Brasil. Concordando em absoluto com os argumentos do articulista, tomamos a liberdade de acrescentar, aqui, nosso temor. De que, agora, a História afro-brasileira comece a servir de “barriga de aluguel” para a gestação, nesse útero, de ações e negócios contrários aos interesses dos descendentes, mesmo presumíveis ou simbólicos, dos infelizes desembarcados no sítio histórico agora celebrado. Veja mais

UMA ARTISTA INCOMPARÁVEL

Nilze Carvalho e Nei Lopes – Show “Verde, Amarelo, Negro, Anil” – SESC Belenzinho / SP- 08/07/17

O universo do jazz, nos Estados Unidos, conheceu e conhece diversas artistas que, além de cantoras eletrizantes, destacaram-se também como grandes instrumentistas, compositoras, arranjadoras, diretoras de cena, produtoras.

Em geral negras e de origem humilde, essas mulheres, com seu talento, transpuseram barreiras e, com muito trabalho, se tornaram autoras de suas próprias trajetórias. E, no Brasil, com esse perfil, eu, com toda a sinceridade, só conheço uma: Nilze Carvalho. Veja mais

“MULATO BAMBA” – Nei Lopes

“Este mulato forte é do Salgueiro/ Passear no ‘tintureiro’ era o seu esporte. / Já nasceu com sorte /e desde pequeno vive à custa do baralho (…) [mas] As morenas do lugar vivem a lamentar/ por saber que ele não quer /se apaixonar por mulher” (Noel Rosa).

A carta, curta e grossa, chegou pelo correio, sem menção do remetente e com carimbo da agência de Itaguaí, lá onde o vento faz a volta. Era assinada apenas assim: “Doca”. E isso deixou Noel encafifado. Porque “Doca”, pra ele, só podia ser ela. Mas tinha também… Ele. E aí é que estava o “x” do problema; a incógnita de uma equação de altíssimo grau; que só se resolvia, ou não, lá nas quebradas, no cocuruto, do Salgueiro. Veja mais